CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
A prostituta barrada na porta da igreja
Santos & Mártires

A prostituta barrada na porta da igreja

A prostituta barrada na porta da igreja

“Mas quando eu pisei no limiar da porta, por onde todos entraram, fui impedida por uma força que não me deixou entrar... Era como se um destacamento de soldados estivesse lá de pé, se opondo à minha entrada.”

Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Abril de 2019Tempo de leitura: 13 minutos
imprimir

É uma constante na arte sacra a figura de Santa Maria Egipcíaca, que viveu de 344 a 421. Sempre impressionaram os artistas sua vida de penitência no deserto e o episódio milagroso de sua última comunhão, recebida das mãos de um monge chamado Zózimo.

Foi a ele que esta santa contou toda a sua história, a qual chega até nós graças a um relato intitulado Vita Sanctae Mariae Aegyptiacae, Meretricis, atribuído a São Sofrônio de Jerusalém [1].

Quem tiver tempo, deve fazer a si mesmo o favor de ler inteiro este edificante relato. Não devem nos assustar os fatos miraculosos que rondam a vida dessa santa — e que a crítica moderna insiste em desacreditar —, pois prodígio algum que aconteceu em sua vida se compara à transformação que lhe aconteceu na alma. Lembremo-nos sempre que, como dizem Santo Agostinho e Santo Tomás [2], a justificação do ímpio é obra maior do que a criação do céu e da terra, pois estes passarão, mas a glória dos bem-aventurados no Céu não passará jamais.

Maria do Egito (seu lugar de nascimento) começa sua história contando como deixou a casa paterna, aos 12 anos, e foi para Alexandria, onde perdeu a virgindade e entregou-se à luxúria por cerca de 17 anos. “Eu era como um fogo de depravação pública”, ela confessa, “e não era por amor ao ganho. Frequentemente, quando eles desejavam pagar-me, eu recusava o dinheiro. Agia dessa maneira para fazer com que tantos homens quantos fosse possível desejassem possuir-me, fazendo de graça o que me dava prazer.” Ela se prostituía, portanto, não tanto por dinheiro, mas por um “desejo insaciável e uma paixão irreprimível por deitar-me na lama”.

Um dia, ela embarcou com inúmeros líbios e egípcios rumo a Jerusalém. Eram peregrinos que iam à Terra Santa para a festa da Exaltação da Santa Cruz. Ela ia movida não por desejo religioso, mas sim pela vontade de “ter mais amantes que pudessem satisfazer” suas paixões. Sem dinheiro e sem alimento, como se manteria Maria? “Eu tenho um corpo e, ao invés de pagar pela viagem, o porei à disposição”, ela dizia.

De fato, assim ela fez. Para dar a Zózimo uma ideia do abismo em que se achava, é com estas palavras que ela descreve sua viagem a Jerusalém:

Como poderei relatar o que aconteceu depois disso, ó homem de Deus? Que língua pode narrar, ou que ouvidos podem ouvir tudo o que aconteceu naquela embarcação durante a viagem? Como eu então forçava aqueles pobres moços, até mesmo contra a sua vontade! É inominável a turpíssima depravação que eu então lhes ensinei. Estou surpresa, Pai, de como o mar suportou as luxúrias da minha iniquidade, de como a terra não abriu suas mandíbulas e me arrojou viva no inferno, eu, que tantas almas havia prendido nas teias da morte.

Chegando à Terra Santa, Maria continuou “vivendo o mesmo tipo de vida, talvez até pior”: além dos rapazes que seduziu em alto mar, continuou a se entregar ainda “a muitos outros, tanto da cidade quanto estrangeiros que lá estavam”.

Já aqui essa história nos convida à meditação. Comecemos por constatar que, infelizmente, exemplos da vida pregressa como a de Santa Maria Egipcíaca não são muito difíceis de encontrar hoje em dia. Na verdade, eles estão a apenas um clique de distância. O que são, de fato, os sites de pornografia senão uma reunião, seleta e artificiosamente elaborada, dessas pessoas perdidas, entregues aos prazeres da carne e que “ensinam” a seus usuários todo tipo de depravação? E nossos homens, o que se tornaram senão frequentadores assíduos desses “prostíbulos virtuais”, sem os quais não conseguem mais passar e levar uma vida saudável?

Homens e mulheres afundados na lama da impureza, e não se sabe quem está mais sujo: eis a situação em que nos encontramos. Mas quantas dessas pessoas não morrem nesse estado? Esta, sim, é a maior tragédia de todas. Maria Egipcíaca recebeu de Deus a graça — como veremos — de se arrepender dos pecados que cometeu, levar uma vida de penitência e morrer em estado de amizade com Deus. Mas e nós, quanto tempo mais esperaremos para nos convertermos e mudarmos de vida? Até quando continuaremos a ignorar o Deus que nos procura e quer a nossa salvação?

A quem se encontra em estado de graça, não é menos forte a meditação a fazer: o que seríamos de nós, se tivéssemos partido deste mundo em pecado mortal? O que seria de nossa alma se naquela noite em que dormimos afastados de Deus, naquele dia em que lhe voltamos as costas (até prometendo para nós mesmos buscar a Confissão no dia seguinte), o que aconteceria se naquela hora fôssemos chamados para a prestação de contas que dá início à eternidade?

Pensemos nessas coisas e tenhamos sempre um coração agradecido a Deus por sua misericórdia nos ter atingido como atingiu esta sua filha, Santa Maria Egipcíaca. Mas deixemos que agora fale ela, sem interrupções, de como se deu o bonito milagre de sua conversão:

O dia sagrado da Exaltação da Cruz despontou, enquanto eu ainda estava à caça de jovens. Ao amanhecer, vi que todos corriam para a igreja. Então, corri com o resto deles. Quando a hora da sagrada elevação se aproximou eu estava tentando abrir caminho entre a multidão, que lutava para chegar às escadarias. Finalmente, com grande dificuldade, consegui ir me espremendo quase até às portas da igreja, de onde a vivificante árvore da Cruz estava sendo mostrada ao povo. Mas quando eu pisei no limiar da porta, por onde todos entraram, fui impedida por uma força que não me deixou entrar. Entretanto, completamente ignorada pela multidão, me encontrei sozinha no pórtico da igreja. Pensando que isto tivesse acontecido devido à minha fraqueza de mulher, comecei novamente a abrir caminho com os cotovelos no meio da multidão. Mas era em vão meu esforço. Novamente meus pés pisaram no limiar onde outros iam entrando na igreja, sem encontrar nenhum obstáculo. Eu somente parecia não ser aceita na igreja. Era como se um destacamento de soldados estivesse lá de pé, se opondo à minha entrada. Mais uma vez fui excluída pela mesma força poderosa e novamente fiquei no limiar.

Havendo tentado por três ou quatro vezes, finalmente me senti esgotada e não tendo mais forças para empurrar e ser empurrada, fui para o lado e permaneci num canto do pórtico. E então, com grande dificuldade, começou a despontar algo em mim e comecei a perceber a razão pela qual eu estava sendo impedida de ver a Cruz vivificante. A palavra da salvação gentilmente tocou os olhos do meu coração e revelou-me que era minha vida impura que fechava a entrada para mim. Comecei a chorar e lamentar e bater no meu peito e a suspirar das profundezas do meu coração. E assim permaneci chorando, quando vi acima, um ícone da Santíssima Mãe de Deus. E voltando para ela meus olhos do corpo e da alma eu disse: “Ó Senhora, Mãe de Deus, que deste à luz na carne a Deus, a Palavra; eu sei, ó quão bem eu sei, que não há nenhuma honra ou louvor para ti, quando alguém tão impura e depravada como eu olha para teu ícone, ó sempre Virgem, que mantiveste vosso corpo e alma na pureza. Certamente inspiro desprezo e desgosto ante tua pureza virginal. Mas já ouvi que Deus, que nasceu de ti, se tornou homem para chamar pecadores à conversão. Então, ajuda-me, pois não tenho outro auxílio. Ordena que os portais da igreja se abram para mim. Permite-me ver a venerável árvore na qual Ele que nasceu de ti, sofreu na carne e na qual Ele derramou seu preciosíssimo Sangue pela redenção dos pecadores e para mim, indigna como sou. Seja minha testemunha fiel diante de teu Filho que eu nunca mais corromperei meu corpo na impureza da fornicação, mas tão logo eu veja a árvore da Cruz, renunciarei ao mundo e às suas tentações e irei aonde quer que me conduzas.”

Assim falei e como se recobrasse nova esperança, com fé firme e sentindo alguma confiança na misericórdia da Mãe de Deus, deixei o lugar onde tinha ficado rezando. E fui novamente, misturada à multidão que fazia seu caminho dentro do templo. E ninguém parecia impedir-me, ninguém estorvou minha entrada na igreja. Fiquei possuída de tremor e estava quase à beira do delírio. Tendo chegado tão próximo das portas, o que eu não conseguira antes, como se a mesma força que me impedira agora abrisse caminho para mim, eu agora entrava sem dificuldade e me encontrei no lugar santo. E então vi a Cruz vivificante. Vi também os Mistérios de Deus e como o Senhor aceita o arrependimento. Jogando-me ao chão, adorei aquela terra santa e tremendo, beijei-a. Então saí da igreja e fui àquela que prometeu ser minha segurança, ao lugar onde eu selei meu voto. E dobrando meus joelhos diante da Virgem Mãe de Deus dirigi a ela estas palavras: “Ó amável Senhora, tu me mostraste teu grande amor por todos os homens. Glória a Deus, que aceita o arrependimento de pecadores através de ti. O que mais posso lembrar ou dizer, eu que sou tão pecadora? É hora para mim, ó Senhora, de cumprir meu voto, de acordo com o teu testemunho. Agora, conduz-me pela mão pelo caminho do arrependimento!”

E ao dizer estas palavras ouvi uma voz do alto: “Se tu atravessares o Jordão irás encontrar glorioso repouso”. Ouvindo esta voz e crendo que eram para mim, gritei para a Mãe de Deus: “Ó Senhora, Senhora, não me abandones!”

A história é bela e comovedora. Maria estava ainda afundada em seu pecado, à procura de mais pessoas a quem ensinar suas imoralidades, e Deus lhe mostrou — fortiter et suaviter, como só Ele é capaz — que sua vida desregrada precisava mudar.

“Santa Maria do Egito”, por José de Ribera.

Ela então caiu em si e recorreu a quem? A Maria, Mãe de Deus! Mas se foi Deus quem a fez despertar de seu sono de pecado, por que recorrer a outrem? Se é Ele que salva, por que dirigir-se a ela? Ora, muito simples — e Santa Isabel o intuiu no Evangelho (cf. Lc 1, 43), e os primeiros cristãos o entenderam ao compor a oração Sub tuum praesidium, e Maria do Egito demonstrou ter entendido o mesmo com sua súplica: assim como Deus quis desposar a humanidade na Encarnação servindo-se de Maria, Ele quer se unir a nossas almas também através dela.

Santo Tomás diz algo parecido ao comentar a passagem das bodas de Caná: observando que o evangelista diz primeiro: “achava-se ali a mãe de Jesus”, para só depois mencionar a presença de Cristo e de seus Apóstolos (cf. Jo 2, 2) na festa, o Aquinate afirma que “a bem-aventurada Virgem, mãe de Jesus, está presente nos matrimônios espirituais como aquela que une os esposos [nuptiarum consiliatrix], pois é por sua intercessão que as almas se unem a Cristo pela graça” [3].

Maria do Egito dá testemunho, no entanto, de que a intercessão de Nossa Senhora não só a uniu a Cristo, como a manteve firme nessa união. Depois de deixar aquela igreja em Jerusalém, atravessar o rio Jordão e chegar ao deserto (onde ela passou, como se sabe, o resto de seus dias), as batalhas que ela travou com o demônio foram intensas, e em todas elas foi a Mãe de Deus que a valeu:

Creia-me, Pai, por dezessete anos vivi nesse deserto lutando contra feras selvagens — desejos loucos e paixões. Quando ia me alimentar eu costumava lamentar a carne e o peixe que eu tinha em abundância no Egito. Lamentava também não ter vinho que eu apreciava tanto, pois eu bebia muito vinho quando vivia no mundo, enquanto aqui eu nada tinha, nem mesmo água. Queimava-me até sucumbir de sede. Um desejo atroz de canções libertinas também me perturbavam e me confundiam grandemente, levando-me quase a cantar canções satânicas, que eu tinha aprendido antes. Mas quando esses desejos me vinham, eu batia no peito e me recordava do voto que tinha feito antes de vir para o deserto. Em meus pensamentos voltava-me para o ícone da Mãe de Deus que me tinha recebido e a quem clamava na oração. Implorava-lhe para dar caça a esses pensamentos, diante dos quais minha alma estava sucumbindo. E depois de chorar por longo tempo e batendo no peito, eu costumava ver uma luz que parecia brilhar sobre mim de algum lugar. E depois da violenta tempestade finalmente vinha a paz.

E como posso dizer-lhe sobre os pensamentos que me instavam à fornicação, como posso expressá-los a ti, Pai? Um fogo inflamava meu miserável coração que parecia queimar-me completamente e me despertava uma sede de abraços. Tão logo esse desejo me surgia, eu jogava-me ao solo e molhava-o de lágrimas, como se visse diante de mim minha testemunha, que tinha me aparecido em minha desobediência e que parecia ameaçar punição para o castigo. E eu não me erguia do chão (algumas vezes ficava lá prostrada por um dia e uma noite), até que a calma e a doce luz descesse e me iluminasse e pusesse em fuga os pensamentos que me possuíram. Mas sempre eu voltava os olhos de minha mente para minha protetora, pedindo-lhe para estender seu auxílio a uma que estava afundando rápido nas dunas do deserto. E sempre a tive como meu socorro e aquela que aceitava meu arrependimento. E assim vivi por dezessete anos, entre constantes perigos. E desde então a Mãe de Deus me auxilia em tudo e me conduz como se pela mão fosse.

Santa Maria do Egito recebeu ainda, antes de morrer, uma visita especial de Jesus sacramentado: aquela que, por sua impureza, se vira impedida de entrar na casa de Deus, por sua penitência terminou “atraindo” o próprio Deus para o seu deserto.

Assim acaba sua história neste mundo, assim Santa Maria do Egito nasce para o Céu. Há uma porção de detalhes de sua biografia dos quais poderíamos extrair ainda um sem número de lições, mas deixemos isso para outra ocasião. Por ora, sirvamo-nos desse belo relato de conversão para meditarmos em nossa própria vida, no modo como Deus nos visitou para fazer-nos entrar em sua Igreja, e em como Ele nos chamou para fazer penitência no deserto desta vida.

Em primeiro lugar, alegremo-nos por tantas “portas fechadas” em nossa cara ao longo desta vida; bendigamos ao Senhor por todas as “desgraças” que nos sucederam, mas que se revelaram, ao fim e ao cabo, grandes instrumentos da Providência para a nossa salvação! A frase pode estar banalizada, mas, de fato, Deus nos fecha portas agora porque tem outras para nos abrir. Dizendo de outro modo, é melhor que nos sejam negadas certas coisas aqui, que soframos certas penas aqui, que nos sejam fechadas certas portas aqui, do que sermos barrados na entrada do Reino dos céus.

Mas se as palavras “penitência”, “deserto” e “sofrimento” nos parecem duras e nos fazem querer desanimar, não nos esqueçamos da grande paz e doçura que acompanham a entrega dos que amam a Deus — paz e doçura que os mundanos não encontram em seus pecados!

Com efeito, quem olhasse para Maria Egipcíaca prostituída, antes de seu encontro com Cristo crucificado, com que pena não veria, no fundo de seu olhar, o vazio angustiante de quem estava gastando todas as suas energias numa procura vã de felicidade! Aquela mulher sensual nunca imaginaria a reviravolta que aconteceria em sua vida… E, no entanto, se colocássemos lado a lado, no leito de morte, a Maria pecadora e a Maria penitente, e perguntássemos a uma e a outra se se arrependia da vida que tinha levado… a primeira certamente diria que sim — e daria tudo para voltar atrás e refazer-se —, mas a segunda com certeza responderia que não

Por quê? Porque Santa Maria do Egito, a Penitente, havia encontrado, no deserto com Deus, a paz que o mundo não pode dar (cf. Jo 14, 27). Dali ela seguiria rumo à Jerusalém celeste, sim; rumo à Terra Prometida do Céu, onde não há luto, nem lágrimas, nem dor, nem escuridão. Mas já aqui, através da fé, ela pôde experimentar um prelúdio de tudo isso — e de ter entregado sua vida ao Amor ela não poderia arrepender-se jamais [4].

Referências

  1. O texto latino completo pode ser consultado facilmente na Patrologia Latina, v. 73, col. 672-690, mas há uma tradução em português do relato no site ortodoxo Ecclesia.
  2. Cf. S. Th. I-II, q. 113, a. 9.
  3. Comentário ao Evangelho de São João, II, 1, n. 343.
  4. A frase: “Não! Não me arrependo de me ter entregue ao Amor!” faz parte do testamento de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face (cf. Últimos Colóquios, Caderno Amarelo, 30 set.).

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Temperamento não é muleta!
Cursos

Temperamento não é muleta!

Temperamento não é muleta!

Não é porque você nasceu com esta ou aquela tendência que precisa ceder à sua natureza e levar a vida de qualquer modo. Temperamento não é muleta, nem licença para ser um mau caráter!

Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Setembro de 2019Tempo de leitura: 1 minutos
imprimir

Nós, seres humanos, estamos sempre arrumando uma desculpa, um “jeitinho” para justificar nossos defeitos e permanecer na cômoda mesmice de nossos maus hábitos…

Pois bem, se há algo em que nosso novo curso sobre “Os Quatro Temperamentos” quer ajudar você, é justamente a mudar isso. Assim como o Apóstolo disse: “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12, 2), este curso é para dizer a você: Não se conforme com seu temperamento! Não se conforme às más inclinações com que você nasceu! Lute — com a graça de Deus, é claro, mas lute — para transformar a própria têmpera!

Dizendo de modo mais claro e concreto: 

  • não é porque você nasceu mais propenso à cólera que pode ser mal educado e sair por aí dando coice nos outros; 
  • não é porque nasceu mais dado à melancolia que precisa ficar “chorando as pitangas” todo dia; 
  • não é porque nasceu mais inclinado à preguiça que não precisa “pegar no batente”; 
  • não é porque tende à inconstância que está fadado a sempre começar as coisas e nunca terminá-las… 

Porque temperamento não é muleta, nem licença para ser um mau caráter, e é essa a mensagem do novo teaser que estamos enviando a você, com mais trechos inéditos de nossas aulas. Assista:

Se você gostou e quer saber melhor como esse assunto é tratado dentro do sadio equilíbrio da espiritualidade cristã, inscreva-se agora mesmo em nossa lista exclusiva para este curso e receba todas as atualizações a respeito! “Porque é a partir desse conhecimento, do que é a minha tendência biológica, que eu vou construir o meu caráter”.

E anote em sua agenda: nosso lançamento será no dia 15 de outubro, memória de Santa Teresa de Jesus.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Marido e mulher, vocês não pertencem a si mesmos!
Família

Marido e mulher,
vocês não pertencem a si mesmos!

Marido e mulher, vocês não pertencem a si mesmos!

Embora o sacramento do Matrimônio não imprima caráter em sentido estrito, o casal muda verdadeiramente: o alicerce deixa de ser o próprio eu e passar a ser o outro, deixa de ser o isolamento para ser a comunhão.

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Setembro de 2019Tempo de leitura: 5 minutos
imprimir

A linguagem tradicional de “direitos” ou “débitos” no Matrimônio foi muito criticada  antes e durante a realização do Concílio Vaticano II, e quase desapareceu do vocabulário católico. No entanto, é necessário analisá-la novamente. Porque é importante reconhecer, especialmente numa época de confusão a respeito da indissolubilidade matrimonial, que no momento em que nasce o vínculo conjugal algo de cada um dos cônjuges pertence, por direito, ao outro, e não apenas a si mesmo.

Vejamos os votos contraídos no Matrimônio: “Eu, N., recebo-te por minha esposa (meu esposo) a ti, N., e prometo ser-te fiel...”. A troca de consentimentos não é um contrato limitado e revogável: ao contrário, ele é livre, irrevogável e desinteressado, pois um se entrega ao cuidado do outro. Eu deixo de ser “dono do meu nariz”, pois agora pertenço à outra pessoa. Em certo sentido, torno-me propriedade do meu cônjuge. Os esposos podem reivindicar coisas um do outro, porque cada um deles tem um direito verdadeiro e definitivo sobre o outro. Esse é precisamente o significado do voto, diferentemente de acordos, contratos, pactos, parcerias ou “casos”.

Vale a pena fazer uma comparação com os votos religiosos. A mulher que entra para a vida religiosa, como costumamos dizer, faz um voto irrevogável e incondicional de se casar espiritualmente com Nosso Senhor Jesus Cristo. Por sua vez, o homem que entra para a vida religiosa promete pôr-se plenamente à disposição e a serviço dEle. Não se trata de um mero passatempo, mas da consagração de toda a vida a outra pessoa.

Por isso, tanto o Matrimônio como a vida religiosa exigem uma preparação séria, um propósito lúcido, esforço e oração constantes para que haja perseverança e um desejo pleno de aceitar o fardo do outro “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”, nas épocas de esplendor e nas noites escuras. 

Você não pertence a si mesmo” — é esse o clamor que sai da boca do Apóstolo (1Cor 6, 19). Marido e mulher, vocês não pertencem a si mesmos, pertencem um ao outro e, portanto, devem tudo um ao outro. Esse débito se estende de forma natural, espontânea e apropriada aos filhos, por quem os pais são responsáveis e de quem recebem as bênçãos da alegria, do apoio e do sofrimento, ou seja, trata-se de uma verdadeira participação no mistério pascal de Cristo. De modos distintos, os membros da família pertencem uns aos outros. Nenhum deles pertence a si mesmo. 

Você não pertence a si mesmo. Contraímos uma dívida eterna com Deus pelo simples fato de termos sido criados do nada por sua vontade benéfica e sábia. Devemos a Ele nosso próprio ser, porque Ele nos fez para ser, Ele nos dá o “ato de ser”, a fonte de nossa personalidade, a energia dinâmica que nos transforma em seres reais, e não meramente possíveis. Como se isso não bastasse, Ele nos salva: “Fostes comprados por um alto preço” (1Cor 6, 20).   

O Matrimônio é análogo à Criação e Redenção. Deus remodela os esposos como marido e mulher através dos votos feitos livremente por eles e, num mistério que envolve o uno e o múltiplo, o passado e a eternidade, o exercício da vontade individual de cada um dá origem à união amorosa de duas vidas. Por meio dos votos o relacionamento (ou seja, sua mútua dependência) vai da possibilidade à realidade: ele se torna algo real, e não apenas uma ideia ou desejo. 

Embora o sacramento do Matrimônio não imprima caráter em sentido estrito, o casal muda verdadeiramente: o alicerce deixa de ser o próprio eu e passar a ser o outro, deixa de ser o isolamento para ser a comunhão. Os cônjuges estabelecem uma nova relação, enraizada na razão e na vontade, e por meio da qual são novamente criados no Reino de Deus e neste mundo. Essa relação é tão íntima que somente a morte (literalmente, o desaparecimento de um dos esposos) lhe pode estabelecer um limite temporal. Na medida, porém, em que a alma santificada de uma pessoa leva consigo tudo o que ela fez em sua vocação para a glória de Deus, o vínculo entre os esposos pode continuar no céu, não da forma como existe na terra (cf. Mc 12, 25), mas num estado transfigurado de perfeita e elevada união, que foi imperfeitamente alcançado nesta vida. 

O que foi dito acima ajuda a explicar por que a união física entre homem e mulher só faz sentido no contexto matrimonial. Ela é tradicionalmente chamada “ato conjugal” (ou nupcial) por ser o ato por que se paga, de modo simbólico e real, a dívida espiritual dos votos. É imagem passageira de um compromisso duradouro, evidência momentânea da intenção de amar e servir por toda a vida. 

Esse ato perde o sentido quando não há comunhão de almas alicerçada num voto. Fora do casamento, o ato se autodestrói, pois ignora sua elevada finalidade e se torna ou um ritual niilista, do qual se cansam até as pessoas mais inteligentes e artísticas, ou um ato animal sem qualquer valor pessoal. Isso acontece porque a união física digna de duas pessoas humanas só pode ocorrer se for realizada primeiro no campo espiritual por meio de votos solenes, pelos quais homem e mulher se concedem mutuamente o direito exclusivo que um pode exercer sobre o outro. É assim que se entregam um ao outro. Qualquer outra coisa além disso é autocontraditória, medíocre mesmo, algo a que Nietzsche chamou “meio a meio”.

Nietzsche também dizia que o coração do homem e da mulher tem um profundo desejo de eternidade. Nossos corações desejam o Todo, e não descansarão até obtê-lo. O Matrimônio é um todo espiritual, um bem comum feito de partes intrínsecas: marido e mulher. Se o todo for removido, as partes se dissolvem, assim como a mão perde sua essência quando separada do corpo, pois em tal circunstância ela só pode ser chamada “mão” de modo equívoco. Se o todo for danificado ou eliminado, as partes perecerão, assim como o homem morre quando cortado ao meio ou o corpo se corrompe quando dele se separa a alma. 

O voto nupcial representa a união de dois espíritos, cuja graça, paz, alegria e caridade podem ser reforçadas pela união física. A beleza do ato interno (duas pessoas unidas por um voto) redunda na beleza do externo (duas pessoas numa só carne); a veracidade do ato interno contém e aprofunda a veracidade do externo; a bondade do ato interno purifica e ilumina o externo. Essa é outra forma verdadeira de dizer: “O que Deus uniu o homem não separe”.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

É possível o retorno à inocência?
Sociedade

É possível o retorno à inocência?

É possível o retorno à inocência?

Com a contínua banalização do vício na modernidade, a ideia de preservar ou recuperar a inocência pode parecer um tanto irrelevante. Mas seria impossível fazê-lo? Ou, ao contrário, não é esse o único caminho para Deus?

Auguste MeyratTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere (adaptado)20 de Setembro de 2019Tempo de leitura: 9 minutos
imprimir

Com a contínua banalização do vício na modernidade, a ideia de preservar ou recuperar a inocência parece um tanto irrelevante. Hoje, apenas alguns pais (geralmente mórmons ou católicos tradicionais) levam a sério a inocência de sua família e fazem o possível para proteger os filhos da corrupção reinante em todas as formas de mídia e ambientes. Eles educam em casa, restringem ou proíbem o tempo de televisão e  procuram limitar as companhias e amizades de seus filhos.

Na maioria dos casos, seus vizinhos mais progressistas os ridicularizam como loucos e fariseus modernos, principalmente quando veem seus filhos alimentando a fé e vivendo prudentemente, enquanto os seus próprios caem em todos os pântanos morais imagináveis.

Diante de tal êxito, pode-se perguntar por que mais pessoas não seguem essas famílias saudáveis em vez de zombar delas. Algumas o fazem, e isso explica por que as comunidades religiosas ortodoxas mais tradicionais estão crescendo rapidamente, enquanto as liberais continuam a decair de forma vertiginosa. Outros não o fazem porque não compreenderam o que realmente significa inocência. Com demasiada frequência, ela é entendida em termo negativos: não ser exposto a más influências, não observar ou conhecer o mal, não ter maus pensamentos ou cometer ações más etc. Se as pessoas veem a inocência como um conjunto de “não-experiências”, os que a ela se opõem podem tratá-la como algo que denota ignorância, ingenuidade e até insensibilidade.

A consequência dessa redefinição é clara, especialmente nas escolas, no entretenimento e na vida familiar. Na escola, as crianças são sistematicamente escandalizadas em relação à sua fé, aos seus relacionamentos e à sua própria identidade. Elas aprendem cedo a equiparar religião com superstição, amor com utilidade e o “eu” com características acidentais. Os alunos que praticam sua fé, evitam o sexo e renunciam ao status de “vítima” são considerados estranhos e atraem o desprezo universal. Por outro lado, os estudantes “de gênero fluido”, com muitos parceiros e sem religião, são cada vez mais celebrados e admirados.

No entretenimento, as crianças veem o bem e o mal relativizados, com o vilão muitas vezes interpretando o herói, e virtudes como a bravura e a honestidade sendo dissolvidas em desprezo, incompetência e superficialidade. Pode até ser que os telespectadores mais jovens aprendam a ser gentis com as pessoas, mas o que eles costumam aprender com mais frequência é a tirar sarro dos outros, esquecer suas boas maneiras e agir como palhaços.

Além de absorver a imoralidade desse entretenimento, o ato de consumir passivamente imagens e sons, na tela, atrai as crianças para o vício. Não há melhor maneira de tirar a inocência de uma geração inteira do que transformá-los em viciados.

É claro que a escola e o entretenimento não teriam tanto efeito sobre a inocência dos jovens se os adultos estivessem em guarda. Mas, infelizmente, a maioria dos adultos abandonou o posto, deixando suas casas um caos e as crianças se virando por si mesmas. Incentivados por uma propaganda onipresente, eles têm cada vez menos escrúpulos em submeter seus filhos à corrupção. Assim, as crianças passam os primeiros anos de formação em lares onde abuso, palavrões e mentiras são algo comum.

Essa extinção da inocência continua, perigosa, até a idade adulta. Colocados em uma ladeira escorregadia e achando que nada mais têm a perder, a maioria dos adultos continua perdendo ainda mais a inocência. Seu lazer, educação e vida doméstica se tornam ainda mais escandalosos e destrutivos, a ponto de males extremos como o aborto, a eutanásia e a perseguição religiosa começarem a ser tratados como opções desejáveis para revolucionar a cultura.

Essa situação deixa duas opções para o indivíduo que ainda acredita na inocência: lutar ou fugir. A curto prazo, aqueles que escolherem a última opção podem ser mais eficazes em lidar com esse movimento espiral de decadência moral, mas isso não acontecerá a longo prazo. A tão criticada “Opção Beneditina” poderia funcionar em uma sociedade feudal descentralizada, que é o que a Europa se tornou após a queda do Império Romano. Mas não pode funcionar em países modernos, onde um governo autoritário tem os meios e o apoio para simplesmente proibir ideias e práticas contrárias à sua ideologia. Por exemplo: as leis do Canadá que anulam a autoridade dos pais para pressionar a doutrinação LGBT, ou as leis draconianas da Alemanha contra o ensino em casa, indicam qual será o destino final das famílias que tentarem se afastar da corrupta cultura secular da nossa época.

Em vez disso, a melhor opção para preservar a inocência é combater a corrupção predominante. O primeiro passo requer recuperar a definição adequada de inocência. Muito mais do que uma mera falta de experiências negativas, a inocência é uma confiança em realidades superiores — como a Verdade, a Bondade e a Beleza. É inocente a pessoa que acredita na verdade da revelação de Deus, na bondade dos amigos e familiares, na beleza da Criação e da imaginação. Essa pessoa tem uma visão transcendente do mundo e é capaz de enxergar para além de si mesma. Ela não reduz toda a experiência a fenômenos materiais aleatórios, mas encontra significado em tudo e em todos. 

Por terem menos experiências que as levariam a duvidar das realidades mais elevadas, as crianças são naturalmente mais inocentes. No Sermão da Montanha, Cristo, a própria encarnação da inocência, claramente quer preservar essa qualidade nos jovens e recuperá-la nos velhos: “Em verdade vos digo: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18, 3). Jesus não ordena que os adultos abandonem suas responsabilidades ou seus conhecimentos, como ele deixa claro três versículos depois (cf. Mt 18, 6), mas exorta a manterem sua inocência e confiança em Deus.

Felizmente, apenas conhecer ou experimentar algo feio, mau ou falso não leva necessariamente as pessoas a perderem a inocência, embora isso certo aconteça se não tivermos cuidado. Dostoiévski ilustra essa situação com os protagonistas de Crime e Castigo. Na esperança de provar a teoria de que indivíduos verdadeiramente iluminados podem dispensar a moralidade, o protagonista Raskólnikov comete um duplo homicídio, perdendo a inocência no sentido não apenas jurídico, mas também espiritual. A miséria por ele experimentada não provém da culpa por tirar a vida de um inocente, mas da decisão de desistir da Verdade, da Bondade e da Beleza pela falsa sensação de poder resultante do pecado.

Em contraste direto, a personagem Sônia preservou a inocência. Ela brilha como um anjo, apesar de experimentar males muito piores como prostituta, apoiando o pai alcoólatra, com uma mãe histérica e irmãos pequenos e indefesos. Nas conversas entre os dois, Sônia é inocente, afirmando sua confiança em Deus e em seu amor, enquanto Raskólnikov se sente qualificado para lhe dizer o quão errada e ingênua ela é, ainda que ele mesmo nunca se dê conta da própria estupidez, ao cometer um crime pela simples razão de justificar uma hipotética moral adolescente.

Em vez de evitar Raskólnikov para manter sua pureza, Sônia pacientemente o confronta sobre seu crime e o desafia ao arrependimento. Nesse sentido, ela reflete os santos que brandiram sua inocência diante da corrupção. Eles entenderam que isso era mais persuasivo do que qualquer argumento. São Paulo conquistou mais convertidos na Grécia com sua inocência do que os maiores filósofos fizeram com seus diálogos e tratados. O próprio Santo Agostinho se converteu não por sua educação retórico-filosófica, mas por causa dos exemplos morais de sua mãe Santa Mônica e de seu mentor, Santo Ambrósio. São Bernardo de Claraval superou o lógico e célebre Pedro Abelardo (numa época em que havia pessoas assim) mais pelo poder de suas convicções do que por seu brilhantismo. São João Paulo II, um gênio por mérito próprio, dedicou sua vida a Deus depois de testemunhar a fé inabalável do pai, a quem considerou como seu “primeiro seminário”. Nada disso exclui a necessidade da razão; indica, porém, que esta é muito mais convincente quando associada à inocência.

Além de provar o poder da inocência, esses exemplos do passado demonstram que ela constitui o remédio concreto para um presente já fadigado. Obviamente, os que preservaram sua inocência devem torná-la um modelo para os outros. Eles podem esperar retaliações, mas pelo menos as pessoas notarão e talvez até venham a tomar consciência mais profunda dos efeitos encantadores da inocência.

O que é menos óbvio nesses exemplos, mas ainda assim imprescindível, é a necessidade subsequente do afastamento do mundo. A inocência impulsiona os homens para o céu; a corrupção os afasta. A pessoa deixa de confiar na Verdade, na Bondade e na Beleza quando passa tempo ouvindo mentiras, sucumbindo ao vício e se rendendo à autossuficiência. Portanto, o homem deve se afastar dessas influências.

Tal mudança acontece para Raskólnikov quando ele passa anos em uma prisão siberiana, antes de finalmente se arrepender. São Paulo escolheu viver no anonimato por três anos após sua conversão, antes de iniciar seu apostolado em Antioquia. Após sua conversão, Santo Agostinho se afastou permanentemente do mundo e de todos os seus prazeres e, praticamente, formou sua própria Ordem religiosa. São Bernardo ingressou na comunidade monástica mais rígida da França de sua época, e São João Paulo II perdeu o sono para passar mais horas em oração. Para todos esses homens, foi o afastamento do mundo que permitiu à inocência criar raízes e florescer. Eles pareciam haver entendido que, sem essa separação, a inocência continuaria sendo um ideal distante que induziria mais a remorsos do que à mudança de vida.

Na era da informação, esse afastamento se tornou cada vez mais difícil, à medida que novos dispositivos preenchem todos os espaços da vida; e inventores e psicólogos desonestos incorporam “tecnologia persuasiva” para destruir a possibilidade de autocontrole das pessoas. Por esse motivo, é necessário ter um propósito de mudar os próprios hábitos e reordenar as prioridades da vida. O tempo gasto anteriormente na televisão e nas mídias sociais pode ser preenchido com oração, trabalho, estudo e momentos de convivência. Se tal mudança puder ser sustentada sem recaídas, surgirão momentos de inocência em que a pessoa perceberá, e se revoltará, com o profano; e exaltará o belo, cheia de gratidão pelas muitas bênçãos presentes no mundo ao seu redor.

Para muitas pessoas que perderam sua inocência, a percepção de que ela pode ser resgatada é uma ocasião de grande alívio, e até de emancipação. Elas não precisam mais se desesperar por terem se afastado da inocência, nem continuar fingindo que estavam melhor por tê-la perdido. Em vez disso, elas podem ser encorajadas pela possibilidade de se tornarem inocentes novamente, protegendo a inocência de outrem e confrontando as forças que trazem à nossa sociedade essa tão sufocante corrupção. Por fim, um retorno à inocência através do afastamento do mundo é a única maneira de amar verdadeiramente ao próximo e aos inimigos, sem se perder e permitir o pecado. É a única maneira de combater os escândalos sem ser escandalizado. Mais importante ainda, é o único caminho para Deus.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

O melhor temperamento é…
Cursos

O melhor temperamento é…

O melhor temperamento é…

Como nascemos todos com o pecado original, não existe um temperamento melhor do que o outro. É preciso aproveitar as qualidades da própria “compleição”, trabalhar as suas debilidades e, sobretudo, crescer na graça de Deus.

Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Setembro de 2019Tempo de leitura: 1 minutos
imprimir

Não é porque somos filhos de Adão e desenvolvemos certos maus hábitos ao longo dos anos que precisamos envelhecer no mal e fazer dele um projeto de vida. O temperamento que recebemos “não é uma resignação”. Deus nos deu uma “compleição” específica, mas é no trabalho e na purificação dela que está a nossa santificação.

Além disso, coléricos ou sanguíneos, fleumáticos ou melancólicos, todos somos herdeiros do pecado original. Por isso, no estado em que nos encontramos, não existe um temperamento melhor do que o outro. É preciso aproveitar as próprias qualidades, sanar as próprias debilidades e, sobretudo, procurar crescer na graça de Deus, que nos eleva acima de nossa natureza decaída.

Tudo isso é só para dizer que nós já estamos trabalhando na produção do curso “Os Quatro Temperamentos” e, abaixo, você confere um pouco do que espera por você em outubro, aqui no site do Padre Paulo Ricardo:

Como você pode ver na própria abordagem do vídeo, nosso curso não é um “manual” de cunho psicológico sobre os temperamentos. Para nosso apostolado, o importante mesmo é ver onde esse assunto se encaixa no caminho da santidade

Se por um lado não se deve superestimar a sua importância, como se fôssemos “animais” e estivéssemos confinados aos limites do que a natureza nos impôs, nem por isso os temperamentos devem ser subestimados, como se não passassem de uma “teoria ultrapassada”, sem nada a acrescentar à nossa vida de virtudes e de busca de Deus.

Se você quer saber melhor como esse assunto é tratado dentro do sadio equilíbrio da espiritualidade cristã, inscreva-se agora mesmo em nossa lista exclusiva para este curso e receba todas as atualizações a respeito!

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.