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Tatuagens e piercing: o que pensar à luz da moral católica?
Sociedade

Tatuagens e piercing:
o que pensar à luz da moral católica?

Tatuagens e piercing: o que pensar à luz da moral católica?

Muitas pessoas, especialmente pais e educadores, rejeitam modas como tatuagem, uso de muitos brincos e outros tipos de piercing, mas não sabem dizer muito bem o porquê. Este artigo apresenta alguns critérios relevantes para formar um juízo moral a esse respeito.

Pe. Peter JosephTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere24 de Março de 2021Tempo de leitura: 11 minutos
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[Este texto não é de autoria do Pe. Paulo Ricardo; foi escrito em 2002 pelo Pe. Peter Joseph e publicado na revista tradicional Latin Mass Magazine, em inglês. A tradução portuguesa abaixo foi feita por nossa equipe.]

Muita gente honesta tem repugnância pelas modas contemporâneas, como tatuagem, uso de muitos brincos e outros tipos de body piercing, mas se sentem despreparadas para formar um juízo claro sobre a moralidade dessas práticas ou para responder à acusação de estarem impondo como código moral suas preferências pessoais. Neste artigo, estabelecerei alguns critérios relevantes para formar um juízo moral a esse respeito.

No Antigo Testamento, o povo eleito recebeu uma ordem específica: “Não fareis incisões na vossa carne por um morto, nem fareis figura alguma no vosso corpo. Eu sou o Senhor” (Lv 19, 28). Inspirado por Deus, S. Paulo nos adverte: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habi­ta em vós, o qual recebes­tes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?” (1Cor 6, 19). Por ser templo do Espírito Santo, devemos cuidar de nosso corpo, protegê-lo e tratá-lo com o devido decoro. Em algumas culturas, uma marca ou desenho especial — na testa, por exemplo — simboliza determinada conquista, o estado conjugal ou qualquer outra coisa, e é algo socialmente aceitável. Os cristãos etíopes, para dar um exemplo, tatuam cruzes na testa. Já foi costume em Samoa tatuar o filho mais velho da família dominante local. Nas sociedades ocidentais, brincos e maquiagens são aceitos como parte da moda e da apresentação pública da mulher. Mas certos tipos de body piercing e decorações são considerados extremos e desnecessários em nossa sociedade, e alguns deles têm por motivo sentimentos anticristãos.

Seria impossível formar um juízo sobre todas as ornamentações corporais de uma perspectiva “preto ou branco”. Mas podemos apontar alguns aspectos negativos que deveriam ser motivo de preocupação para um cristão. Salvo indicações em contrário, este artigo se refere apenas às sociedades ocidentais. Abordarei primeiro as preocupações mais graves; em seguida, as menos graves.

1. Imagens diabólicas. — Tatuagens de demônios são relativamente comuns. Porém, nenhum cristão deveria ter a imagem de um demônio ou de um símbolo satânico.

2. Celebração da feiúra. — Essa é uma marca de Satanás, que odeia a beleza da Criação de Deus, tenta destruí-la e impedir que outros a apreciem. Além de serem feios, alguns tipos de body piercing manifestam alegria com a feiúra. 

Reconhecemos o mau gosto de tatuagens, anéis e pinos ao observar sua natureza, tamanho, extensão e lugar no corpo. Ironicamente, tatuagens floridas e coloridas desbotam com o tempo e acabam ficando escuras e feias. Quando pensamos no fato de os prisioneiros de campos de concentração terem sido tratados como animais e marcados com um número no braço, ficamos espantados ao imaginar que, hoje, as pessoas adotam marcas semelhantes como se fossem elegantes ou “estilosas”. Esse é realmente o sinal de um retorno à barbárie, um comportamento de pessoas que não possuem nenhum senso da dignidade da pessoa humana. 

3. Automutilação e autodesfiguração. — São pecados contra o corpo e contra o quinto mandamento. Alguns tipos de body piercing beiram a automutilação. Múltiplos body piercings equivalem a um abuso contra si mesmo. Uma espécie de ódio contra si ou de autorrejeição motiva algumas pessoas a se perfurarem ou enfeitarem de um modo horrível ou nocivo. O corpo humano não foi feito por Deus para ser um porta-alfinetes nem um mural

4. Danos à saúde. — Médicos já falaram publicamente sobre esse tema. Em 2001, pesquisadores da Universidade do Texas e da Universidade Nacional Australiana publicaram um relatório sobre os danos à saúde causados por tatuagens e body piercing. Alguns brincos (no umbigo, língua ou na parte superior da orelha) são prejudiciais e causam infecções ou danos duradouros, como deformidades na pele. Também podem contaminar o sangue por algum tempo (septicemia). Alguns tipos de furo (por exemplo, no nariz, nas sobrancelhas, no lábio, na língua) não fecham nem mesmo depois da remoção do objeto. Esse tipo de perfuração, portanto, é imoral, já que não deveríamos pôr em risco a saúde sem um motivo razoável. Quando feitos sem a devida higiene, tatuagens e piercings causam infecções. Quando não é esterilizado de forma adequada, um instrumento usado pode transmitir hepatite ou HIV. 

Na esperança de evitar problemas de saúde, alguns fizeram tatuagens de henna, que são pintadas, não feitas com agulhas. A pintura com henna de desenhos florais nos pés e nas mãos é um antigo costume matrimonial hindu. Um relatório da Associação Médica Alemã publicado em 2002 descobriu que turistas que voltaram para casa com hennas feitas em Bali e Bangkok, entre outros lugares, procuraram um médico por causa de graves infecções na pele e, em alguns casos, alergias permanentes. Em alguns casos, também foi usado um corante que, supostamente, faria a tatuagem desaparecer; mas, depois de algumas semanas de irritação na pele, o desenho reapareceu na forma de uma tatuagem avermelhada, que muitas vezes provocava muitas dores no paciente. Alergias surgiram entre doze horas e uma semana após a aplicação da henna, provocando coceira intensa, vermelhidão, bolhas e descamação.  

5. Desejo de chocar e provocar repugnância. — Pode ser conveniente chocar as pessoas quando, por exemplo, alguém relata o drama de pessoas famintas, ou quando protesta contra crimes ou uma terrível exploração. Isso pode ser algo saudável, se feito de modo apropriado e com o devido cuidado, com o objetivo de tirar as pessoas de uma postura de complacência e fazê-las perceber que algo deve ser feito. No entanto, chocar as pessoas apenas por diversão, sem a intenção de promover a verdade e o bem, não é uma virtude, mas sinal de um senso de valores pervertido

Ao avaliar as tatuagens em função da repugnância, observamos a natureza das imagens, o tamanho, o número de tatuagens e seu lugar no corpo; ao avaliar as perfurações, consideramos, de modo semelhante, sua extensão e localização no corpo. 

6. Indecência e irreverência. — É sempre imoral fazer ou exibir tatuagens de imagens ou frases indecentes, ou imagens satíricas de Nosso Senhor, de Nossa Senhora ou de coisas sagradas. 

7. Sinais de desorientação sexual. — Os piratas eram os únicos homens que usavam brincos (por seja qual for o motivo!), enquanto marinheiros e artistas esquisitos eram praticamente as únicas pessoas com tatuagens. O que outrora era algo restrito hoje está disseminado em amplas partes da sociedade. Na década de 1970, um brinco na orelha de um homem (na esquerda, na direita ou em ambas) era um código para expressar sua “orientação” pessoal e, portanto, uma forma de conseguir parceiros. Era algo flagrantemente imoral e, de regra, uma propaganda da imoralidade do indivíduo. Brincos em garotos e homens são tão comuns hoje, que perderam sua importância; porém, não são nunca uma exigência positiva de nenhuma demanda social, como é o caso do terno e da gravata, socialmente necessários em determinadas ocasiões formais.

Mesmo reconhecendo a falta de um simbolismo claro hoje em dia, eu esperaria que qualquer seminário pedisse a qualquer candidato que removesse brincos ou pinos antes de entrar na instituição, e lhe perguntasse quando e por que razão havia começado a usá-los. Não são socialmente aceitáveis na Igreja Católica um seminarista ou um sacerdote de brinco. Um bom número de paroquianos ficaria em dúvida sobre as razões ou motivações mais profundas para usá-lo. Ninguém que exerce esse tipo de função pública começa a usar brinco sem ter tomado uma decisão deliberada. Como me disse certa vez um velho e sábio padre jesuíta: “Ninguém muda o exterior sem ter mudado o interior”. É aquilo que as pessoas chamam de “causar impacto”. O mesmo código de conduta prevista aplica-se a homens de outras profissões, como policiais ou professores [1].

8. Inadequação. — Às vezes as pessoas fazem a tatuagem de um grande crucifixo ou de outras imagens sacras. O corpo humano é um local bastante inadequado para esse tipo de imagem, ainda que seja uma bela imagem. Sempre que essas pessoas vão nadar, por exemplo, exibem essa imagem de modo inadequado. Nenhum sacerdote iria a um centro de compras usando paramentos litúrgicos, não porque haja algo errado com eles, mas porque há um momento e um local para o uso de símbolos religiosos especiais.

9. Vaidade. — Alguns homens tatuam o antebraço e bíceps para ostentar e parecer imponentes. Querem ser o centro das atenções. Todos os que deparam com eles acabam reparando nas tatuagens, a ponto de se tornarem uma distração constante. Por causa delas, as pessoas deixam de ser o foco, que passa a ser a aparência externa do corpo. O mesmo se pode dizer de um pino na língua, um anel no nariz ou vários brincos nas orelhas e nas sobrancelhas. Essas coisas não fazem parte da nossa cultura; no máximo, são parte de uma determinada subcultura, uma afetação minoritária desprovida de relevância social religiosa ou positiva.

Ninguém está dizendo que é errado vestir-se com elegância: trata-se aqui de uma questão de moderação e discrição. A Sagrada Escritura reconhece implicitamente que é bom que a esposa se enfeite para seu marido, ao comparar a Jerusalém celeste a esse tipo de mulher (cf. Ap 21, 2). É bom que uma dama esteja bem vestida e maquiada quando a ocasião o requer, mas todos sabem quando o enfeite passa dos limites e dá uma aparência sedutora ou vulgar.  

10. Imaturidade e imprudência. — Uma ação aceitável ou indiferente em si mesma pode se tornar errada se a intenção ou motivação for errada. Alguns jovens aderem a modas ultrajantes por causa de um desejo imaturo de se rebelar contra a sociedade ou os pais. Esse tipo de desobediência é pecaminoso. Alguns o fazem por um desejo imaturo de se adequar ao grupo de amigos; outros, por um desejo igualmente imaturo de se diferenciar das pessoas ao seu redor. Alguns o fazem por tédio, por ser algo diferente, por entusiasmo, por ser algo de que seus amigos gostarão e sobre o qual falarão. A adesão irracional a modas é sempre um sinal de imaturidade. Para jovens que moram com os pais e, portanto, estão sob sua autoridade, basta que estes manifestem sua reprovação de tais modas, para que os filhos saibam que não podem seguir com elas. Alguns jovens ficam ainda mais extremistas e competem uns com os outros para ver quem põe mais piercings em determinada parte do corpo. Os pais devem proibir absolutamente esse tipo de comportamento.

É difícil para os jovens justificar a enorme despesa (sem falar na dor) de uma tatuagem. Além disso, é desnecessário e tolo marcar o próprio corpo para a vida inteira com imagens sem valor ou com o nome da atual pessoa amada. Soube de um exemplo recente que dá uma ideia de tempo e despesa: uma jovem tinha um dos braços todo tatuado. Foram necessárias duas sessões de 4h cada, num total de 1.000 dólares.

Tatuagens são mais sérias do que outros adornos, pois são marcas mais ou menos permanentes no corpo. Muita gente se tatua com gosto na juventude; mas, não muito tempo, depois se arrepende, pois começa a vê-las como uma desfiguração constrangedora. Quando amadurecem, pagam caro pelo “luxo” que é a remoção de uma tatuagem: algo caro, difícil e que pode deixar cicatrizes. A remoção de tatuagens grandes requer às vezes cirurgia com anestesia geral, com todos os riscos potenciais, além dos consideráveis custos médicos e hospitalares. Casos desse tipo, além do mais, podem deixar grandes partes da pele desfiguradas ou manchadas permanentemente, como se a pele tivesse sofrido queimaduras. Muitos adultos se tornam inelegíveis para determinados postos de trabalho, porque há empresas que não contratam pessoas com mãos cobertas de tatuagens, algo impossível de esconder vários anos depois das tolices da juventude.

Critérios universais. — Em qualquer cultura podem surgir costumes que se tornam aceitáveis e passam a fazer parte dela. Mas isso não as torna certas, necessariamente. Eis alguns exemplos de culturas estrangeiras que considero igualmente errados. Em determinada tribo da África, as mulheres usam brincos gigantes e pesados que alteram o formato dos lóbulos. Em outro lugar, as mulheres põem uma espiral em torno do pescoço para que sejam alongados de modo artificial, ou uma placa na boca para que os lábios sejam projetados alguns centímetros. Na China, houve outrora a prática de amarrar os pés das moças firmemente para impedir que eles crescessem, porque os pés pequenos e delicados eram admirados. Estas e outras alterações drásticas no crescimento natural do corpo humano devem ser consideradas imorais, pois são formas de abuso que decorrem da vaidade.

Nem sempre é possível determinar um limite exato e dizer quando se ultrapassou as fronteiras da moderação. Mas isso não significa que não exista um limite. Ninguém pode definir a temperatura exata em que um dia deixa de ser fresco e se torna frio, mas todos sabem que, quando a temperatura está próxima de zero, já não é possível questionar que esteja frio. Jamais devemos cair no truque dos que tentam “provar”, a partir de casos difíceis e excepcionais, que não existem referências ou princípios, nem um justo meio ou a moderação, só porque eles são difíceis de definir. 

O corpo humano deve ser tratado com cuidado, e não maltratado ou desfigurado. Sua dignidade e beleza devem ser preservadas e cultivadas, para que ele seja uma expressão da beleza mais profunda da alma.

Notas

  1. Nesta parte do texto original, o autor vai além e opina que “empregadores e diretores deveriam criar regras para proibir que funcionários e estudantes do sexo masculino usassem esse tipo de adorno”, isto é, brincos ou pinos. O sacerdote argumenta que regras assim poderiam proteger os jovens de si e da pressão dos pares. Além do que, “ainda hoje, brincos são mais comuns entre mulheres, e somente uma minoria de homens os utiliza”. Deslocamos este comentário para o campo das notas a fim de lhe fornecer o devido contexto. De fato, a recomendação do sacerdote poderia ser tranquilamente aplicada numa civilização cristã, regida pela autoridade das famílias e da Igreja. Numa sociedade como a nossa, porém, altamente judicializada e com as famílias em franca decadência, normas como essas dificilmente seriam aplicáveis: ou se tornariam “letra morta”, ou cairiam sob a pressão do “politicamente correto” e da cultura do “cancelamento” (N.T.).

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Com o que teria sonhado a esposa de Pilatos?
Espiritualidade

Com o que teria
sonhado a esposa de Pilatos?

Com o que teria sonhado a esposa de Pilatos?

Um pequeno detalhe do Evangelho chamou a atenção dos teólogos e literatos ao longo dos séculos: um sonho da esposa de Pôncio Pilatos, a partir do qual ela tentou salvar Jesus da condenação à morte. Mas, afinal, com o que ela teria sonhado?

Stephanie MannTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Março de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
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O Evangelho de São Mateus contém um pequeno detalhe ausente dos outros relatos da Paixão. A esposa de Pôncio Pilatos manda uma mensagem a ele pedindo que não faça nada com Jesus, porque ela tivera um sonho terrível e sofrera muito por causa dele [1]. Ela diz que Jesus é inocente (cf. Mt 27, 19).

A partir deste versículo, a tradição e a literatura desenvolveram uma grande história de conversão. Nas Igrejas orientais e etíopes, a esposa de Pilatos — chamada Cláudia ou Prócula — é venerada como santa. O Evangelho de Nicodemos (influente, apesar de apócrifo) menciona o sonho dela e a reação de Pilatos ao sonho: neste relato, ele se mostra mais preocupado do que indica o Evangelho de S. Mateus. Anás e Caifás convencem-no de que o sonho e a perturbação de sua esposa são sinais de que Jesus é um feiticeiro, e Pilatos dá sequência ao julgamento.

Segundo o ensinamento de Orígenes, um dos Padres gregos da Igreja [2], Cláudia Prócula tornou-se cristã após a Ressurreição, por causa desse sonho. As York Mystery Plays incluem como personagem a esposa de Pilatos e falam de seu sonho, mas com uma interpretação oposta: Satanás aparece para tentar a esposa de Pilatos e fazê-la impedir seu marido de condenar Jesus à morte, a fim de frustrar o propósito de Jesus de redimir e salvar-nos através de sua Cruz e Ressurreição. As York Mystery Plays eram encenadas na solenidade de Corpus Christi para contar a história da Salvação desde a criação até o Juízo final. Cada peça era organizada e dramatizada por uma guilda diferente. Elas foram suprimidas durante o reino de Elizabeth I, em 1569, mas têm sido revividas em produções modernas.

A escritora inglesa Dorothy L. Sayers.

A romancista de mistérios inglesa Dorothy L. Sayers escreveu The Man Born to Be King (“O homem nascido para ser rei”), uma série de radioteatros para a BBC durante a II Guerra Mundial. As peças, transmitidas mensalmente, contavam a história de Jesus, do Natal à Ressurreição. Foi controverso, à época, o uso pela autora do inglês coloquial, pois as pessoas estavam acostumadas com o estilo arcaico da tradução bíblica (sendo a King James a mais famosa em inglês).

Cláudia, a esposa de Pilatos, tem um papel recorrente de coadjuvante em várias das peças. Primeiro ela faz contato com uma mulher cuja filha fora curada por Jesus; depois ela testemunha Jesus proclamar: “Antes que Abraão fosse, eu sou” (em The Feast of the Tabernacles, “A Festa dos Tabernáculos”); por fim, ela e Pilatos vêem-no entrar em Jerusalém, no Domingo de Ramos (em Royal Progress, “Procissão Real”). Pilatos diz à esposa que terá de condenar Jesus à morte. Ele precisa cooperar com as autoridades judaicas a fim de manter a paz e continuar ganhando o favor de César — e ela assente, porque o marido “não deve ofender César!” (em The King’s Supper, “A Ceia do Rei”). Depois de receber a advertência dela sobre o sonho em The Princes of this World (“Os Príncipes deste Mundo”), Pilatos desiste de condenar Jesus de imediato e passa a investigar as acusações contra Ele — mas, obviamente, ele termina condenando-o à morte no fim.

Enquanto Jesus está pendente na Cruz, por volta da hora nona (às 3h da tarde), Dorothy Sayers inclui uma cena na qual Pilatos pede a Cláudia que descreva o sonho que tanto a perturbou. Ela conta que estava a bordo de um barco e que ouviu um clamor; os céus ficaram escuros e o mar Egeu, agitado. O capitão do barco diz a ela que “o grande Pã está morto” [3]. Ela pergunta ao capitão como Deus pode morrer, ao que ele responde: “Você não se lembra? Eles o crucificaram. Ele padeceu sob Pôncio Pilatos.” Então, Cláudia escuta um coro de vozes repetindo as palavras do Credo dos Apóstolos: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”, com o nome de seu esposo repetido em diferentes idiomas. Parece um mau presságio para ambos que o nome de Pilatos esteja tão ligado a esse julgamento, lembrado através dos séculos (em King of Sorrows, “Rei das Dores”).

Na última peça, The King Comes to His Own (“O Rei vem para os que são seus”), Cláudia ouve dizer que Jesus ressuscitou dos mortos. Um pouco atordoada, tanto ela quanto seu marido ficam felizes por estarem deixando Jerusalém. Como a primeira reação de Cláudia à notícia da Ressurreição é invocar o deus romano Apolo, não fica claro como, depois, ela se tornaria cristã.

Pôncio Pilatos e sua esposa, em “A Paixão de Cristo”.

Assim como Dorothy L. Sayers em The Man Born to Be King, Gertrud von le Fort, autora de The Song at the Scaffold (“A Última ao Cadafalso”, em tradução portuguesa), retrata o sonho de Cláudia em The Wife of Pilate (“O Sonho de Pilatos”) como ela escutando as palavras do Credo: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”, Crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato, passus et sepultus est.

Mas onde a versão de Dorothy Sayers vê a esposa de Pilatos ouvindo essas palavras em diferentes vozes e idiomas, a versão de Von le Fort retrata Cláudia viajando no tempo desde as catacumbas, passando por uma basílica romana, passando pelas catedrais góticas, nas quais os coros entoavam as palavras, até edifícios ainda mais irreconhecíveis (para ela), com “cortinas estranhas”. Ela ouve a polifonia da Renascença com as palavras tecidas em diferentes fios de som. Sua visão é a da Igreja ao longo dos séculos proclamando o Credo niceno na Missa

A breve história ou novela toma a forma de uma carta, escrita por uma escrava grega alforriada de Cláudia, contando os efeitos da condenação de Jesus por Pilatos na Sexta-feira Santa sobre Cláudia e o seu relacionamento com seu esposo. Cláudia procura pelos “nazarenos”, seguidores do Cristo ressuscitado, em Roma, e os ouve proclamar o Credo durante o seu culto. Ela participa de vários dos seus encontros, mas hesita em ser batizada, por causa da ação de seu esposo. Cláudia não recebe misericórdia e perdão da comunidade cristã e para de frequentá-la. Mas a perseguição de Nero aos cristãos depois do incêndio de Roma faz com que ela os procure de novo, e ela então recebe o seu batismo de sangue no Coliseu — ou seja, é martirizada. Não contarei como é o final, mas trata-se de algo assombroso, com as palavras ecoando no fundo: Crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato, passus et sepultus est

Na Vigília Pascal não se recita o Credo niceno, mas todos renovamos nossas promessas batismais, enquanto os catecúmenos fazem seus votos. Os recém-batizados fazem, então, com toda a assembleia, antes de ser confirmados e receber a Sagrada Comunhão, uma profissão de fé em tudo o que a Igreja crê e ensina como divinamente revelado. Ao longo do Triduum, porém, ao participarmos dos três maiores dias e noites do ano litúrgico da Igreja, nós estamos professando nossa fé no Credo, juntando-nos ao coro de vozes que a Cláudia de Dorothy Sayers e de Le Fort escutou num sonho de Sexta-feira Santa em Jerusalém. 

Para nós não é um sonho. Ele realmente é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6).

Notas

  1. Inúmeros Padres e escritores eclesiásticos (entre eles, Orígenes, S. Hilário, S. Jerônimo, S. Agostinho, S. Ambrósio, S. João Crisóstomo, Eutímio etc.), além de intérpretes como Teofilacto e Maldonado, opinam que este sonho foi enviado por Deus à esposa de Pilatos por mediação de um anjo: primeiro, para que Cristo desse testemunho da própria inocência pela voz de ambos os sexos, isto é, tanto por Pilatos (cf. Lc 23, 14: “Não o achei culpado”) quanto por sua esposa (cf. Mt 27, 19: “Nada faças a esse justo”), assim como os demais elementos haveriam de testemunhá-la mais tarde, quando tremesse a Terra com a morte de Cristo; segundo, porque se o sonho fosse enviado apenas a Pilatos, ele provavelmente o teria calado, mas, enviado a mulher, poderia ser revelado ao marido perante os sacerdotes e judeus reunidos no tribunal; terceiro, para manifestar que Cláudia era honesta, compassiva e piedosa, da maneira que o sonho seria um sinal de que ela acreditava em Jesus como Messias e Salvador do mundo. Além disso, como escreve S. Agostinho, “na origem do mundo, uma esposa levou o homem à morte”, isto é, Eva a Adão; “na paixão de Cristo, uma esposa provocou-o à salvação”, isto é, Cláudia a Pilatos (Serm. CXXI, de Temp.). Autores como Rábano Mauro, contudo, interpretam o sonho como uma tentação do diabo, para que Cristo fosse liberto e, assim, não resgatasse o homem do pecado: “Sabendo o diabo que, por Cristo, perderia seus despojos, pretendeu libertá-lo por uma mulher”, assim como, no princípio, levara por outra mulher o homem a tornar-se escravo (cf. Pe. Cornélio a Lapide, SJ, Commentarii, vol. 8, p. 521B. Nota da Equipe CNP).
  2. De acordo com Étienne Gilson, o título Padre da Igreja, em sentido amplo, “designa todos os escritores eclesiásticos antigos, mortos na fé cristã e na comunhão da Igreja; em sentido estrito, um Padre (ou Pai) da Igreja deve apresentar quatro características: ortodoxia doutrinal, santidade de vida, aprovação da Igreja, relativa antiguidade (até fins do século III, aproximadamente)”. Segundo essa acepção, Orígenes não poderia ser chamado Padre da Igreja nem em sentido amplo (defendeu, com efeito, doutrinas condenadas pelo Magistério) nem em sentido estrito (não brilhou pela santidade de vida nem conta com a aprovação da Igreja), mas apenas escritor eclesiástico, isto é, alguém “cuja autoridade doutrinal é muito menor e cuja ortodoxia pode, inclusive, não ser irretocável”, embora seja uma testemunha antiga e importante da tradição (A Filosofia na Idade Média. Trad. port. de Eduardo Brandão. 3.ª ed., São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. XXI) (Nota da Equipe CNP).
  3. É através da pena do historiador grego Plutarco (46-120 d.C.), em De defectu oraculorum, que temos notícia do fim de Pã, o único deus grego a morrer. Durante o reinado do imperador Tibério César (14-37 d.C.), um navio teria passado pela ilha de Paxos e de lá se ouviu uma voz que gritava, da margem, a um marinheiro de nome Tâmus: “Quando chegares a Palodes, anuncia que o grande Pã está morto!” Transmitida a notícia, tudo em torno ressoou como um lamento de dor dos animais, árvores e rochas. Esse relato foi interpretado por G. K. Chesterton como um marco do fim da mitologia e do início da teologia (Nota da Equipe CNP).

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Uma ladainha em honra à Santa Cruz
Oração

Uma ladainha
em honra à Santa Cruz

Uma ladainha em honra à Santa Cruz

Esta meditação sobre a Cruz em forma de ladainha, com frases tiradas da Sagrada Escritura e dos Santos Padres, é um ótimo exercício de piedade não só para os dias que antecedem a Páscoa, mas para toda a nossa vida cristã.

Preces LatinaeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Março de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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As duas semanas que antecedem a Páscoa do Senhor ainda são Quaresma, mas, na liturgia romana tradicional, recebem um nome especial: Tempo da Paixão. É hora de intensificarmos nossas penitências, mas agora com o olhar mais voltado para a Cruz de Cristo, o madeiro bendito de onde nos veio a salvação. 

Por isso, nesses dias mais do que em quaisquer outros, pode ser muito apropriada a oração da seguinte ladainha em honra à Santa Cruz, a qual, embora seja de uso privado, está cheia de expressões da Sagrada Escritura e das obras dos Santos Padres. A tradução abaixo foi feita por nossa equipe a partir do seu texto original em latim.


Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai santo, ouvi-nos.
Pai justo, atendei-nos.

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Cruz, espelho dos patriarcas e profetas, defendei-nos.
Coroa dos mártires, defendei-nos.
Alegria dos sacerdotes, defendei-nos.
Glória das virgens, defendei-nos.

Cruz, potência dos reis, protegei-nos.
Ornato da Igreja, protegei-nos.
Esperança dos cristãos, protegei-nos.
Penhor dos que adoram a Cristo, protegei-nos.
Glória de todos os ortodoxos, protegei-nos.

Cruz, nossa coroa, salvai-nos.
Firmamento da paz, salvai-nos.
Porta do Paraíso, salvai-nos.
Vara das maravilhas de Deus, salvai-nos.
Propugnáculo da fé, salvai-nos

Cruz, vida dos justos, ajudai-nos.
Ressurreição dos mortos, ajudai-nos.
Chave do Reino dos Céus, ajudai-nos.
Procuradora dos pobres, ajudai-nos.
Porto dos atribulados, ajudai-nos.

Cruz, selo de castidade, iluminai-nos.
Escola de santidade, iluminai-nos.
Guardiã da castidade, iluminai-nos.
Palma da imortalidade, iluminai-nos.
Tesouro de todos os bens, iluminai-nos

Cruz, consoladora dos aflitos, guardai-nos.
Salvadora dos desesperados, guardai-nos.
Destruidora das heresias, guardai-nos.
Vencedora dos inimigos, guardai-nos.

Cruz, salvação dos fiéis, amparai-nos.
Enobrecida pelo Sangue de Cristo, amparai-nos.
Santificada pelo toque do Corpo de Cristo, amparai-nos.
Sinal vivificante do Filho de Deus, amparai-nos.

Cruz, doadora de saúde, confortai-nos.
Contrato de liberdade, confortai-nos.
Altura do Céu, confortai-nos.
Profundidade da Terra, confortai-nos.
Largura do mundo, confortai-nos.

Cruz, triunfadora dos demônios, libertai-nos.
Extinção do pecado, libertai-nos.
Vitória contra o mundo, libertai-nos.
Vencedora da morte, libertai-nos.
Destruição do inferno, libertai-nos.

De todo o mal, livrai-nos, santa Cruz.
De todo pecado, livrai-nos, santa Cruz.
Do poder do diabo, livrai-nos, santa Cruz.
De toda sugestão e malefício do demônio, livrai-nos, santa Cruz.
Das insídias de todos os inimigos, livrai-nos, santa Cruz.
Da peste, da fome e da guerra, livrai-nos, santa Cruz.
De toda doença, livrai-nos, santa Cruz.
De raios e tempestades, livrai-nos, santa Cruz.
Da morte súbita e desprevenida, livrai-nos, santa Cruz.
Na hora da morte, livrai-nos, santa Cruz.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai-nosso… E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

℣. Pelo madeiro fomos salvos.
℟. Pelo madeiro fomos redimidos.

℣. O fruto da árvore nos seduziu,
℟. O Filho de Deus nos redimiu.

℣. Pelo sinal da santa cruz,
℟. Livrai-nos, Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos.

℣. Senhor, escutai a minha oração.
℟. E chegue até vós o meu clamor.

Oremos. — Olhai, nós vos pedimos, Senhor, sobre esta vossa família, pela qual Nosso Senhor Jesus Cristo não duvidou entregar-se às mãos dos inimigos e sujeitar-se ao tormento da Cruz. — Guardai, Senhor, nós vos pedimos, com paz perpétua aqueles a quem vos dignastes redimir pelo madeiro da santa Cruz. — Sede-nos propício, Senhor Deus nosso, e aos que fazeis se alegrarem com honra da santa Cruz, defendei-os também com auxílios perpétuos. — Que o sinal salutar da Cruz, nós vos pedimos, Senhor, proteja o povo que a vós suplica e, uma vez purificado, dignamente o instrua; para que ele se alegre com a consolação presente em toda tribulação e, perseverando, progrida incessantemente à posse dos bens futuros. — Deus, que nos alegrais com a comemoração contínua da santa Cruz, concedei-nos, nós vos pedimos, que mereçamos no céu os prêmios da Redenção daquele cujo mistério conhecemos na terra. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém. 

℣. Senhor, escutai a minha oração.
℟. E chegue até vós o meu clamor.

℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Demos graças a Deus.

℣. E que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz.
℟. Amém.

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Uma receita para a possessão
Espiritualidade

Uma receita para a possessão

Uma receita para a possessão

“Após vários meses de exorcismo, a verdade finalmente veio à tona. Ao se sentir mais à vontade conosco, ‘Joice’ revelou que havia feito um aborto. Além disso, ela já tinha passado alguns anos envolvida com ocultismo... Naquele momento, eu entendi tudo.”

Mons. Stephen RossettiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere21 de Março de 2021Tempo de leitura: 2 minutos
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Este texto é mais um breve relato de exorcismo acompanhado pelo Monsenhor Stephen Rossetti, que exerce a função de exorcista na Arquidiocese de Washington, capital dos Estados Unidos, há mais de 12 anos.

Algumas pessoas podem achar o registro abaixo perturbador, e outras tantas talvez até reajam com ceticismo ao que é contado por este sacerdote. Pensamos, porém, que a experiência pessoal de um padre idôneo, que lida no dia a dia com os demônios, não deve ser simplesmente “descartada” como se nada fosse

Evidentemente, ninguém é obrigado a acreditar no que ele relata. Sua história não é um “artigo de fé católica”. Na verdade, porém, de que os demônios existem, e na ilicitude do aborto provocado, todos os católicos devemos crer: é o que ensina a Igreja de dois mil anos e é o que nos dita a própria lei natural, inscrita no coração de todo ser humano.


As coisas não estavam se encaixando. Quando rezamos por “Joice”, parecia que ela estava completamente possuída. Ela reagiu fortemente às orações de exorcismo. Sua personalidade ficou em segundo plano e um olhar sarcástico e arrogante apareceu em seu rosto. Quando seguramos um crucifixo, ela disse que seus olhos ardiam só de olhar para ele. Tinha grande dificuldade de ir à Missa e engolir a hóstia consagrada. Ela dizia: “Tinha gosto de animal morto”. Quando nossas sessões de exorcismo terminaram, ela se lembrava pouco do que havia acontecido.

Mas suas informações básicas não pareciam corresponder. É verdade que ela era uma católica relapsa e que tinha se envolvido em alguns comportamentos pecaminosos. Nossa experiência, porém, mostrava que pessoas possessas normalmente tinham as “portas” mais abertas para o demônio. Por isso, sua condição não fazia sentido.

Após vários meses de exorcismo, a verdade finalmente veio à tona. Ao se sentir mais à vontade conosco, ela revelou que havia feito um aborto. Além disso, ela já tinha passado alguns anos envolvida com ocultismo, inclusive consultando médiuns, invocando espíritos e praticando adivinhação. Naquele momento, eu entendi tudo.

Esta é a combinação perfeita para a possessão. Primeiro, não praticar a fé. Viver uma vida virtuosa, tendo fé em Cristo e em sua Igreja, é a principal proteção contra a ação de Satanás. Sem isso, a pessoa fica vulnerável. Segundo, realizar atos seriamente pecaminosos, especialmente os que contribuam para mortes injustas, abusos de crianças ou pecados mortais em geral. Isso cria feridas na psique e no espírito através das quais o demônio pode entrar. Terceiro, invocar espíritos malignos, como em sessões de ocultismo ou de qualquer espiritismo da nova era. Isso convida diretamente os demônios a entrar pelas feridas e possuir a pessoa indefesa.

Ao olhar para a sociedade atual, vemos que todas essas três condições estão aumentando de forma muito rápida. Antes de melhorar, as coisas ainda vão ficar muito mais feias. Precisamos de mais exorcistas e pessoas de oração que os apoiem. Nossa pequena equipe está cada vez mais sobrecarregada com pedidos de ajuda contundentes.

Devemos olhar para Nossa Senhora... Minha bela Maria, meu amor, precisamos de ti.

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